Tempos Interessantes

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006


O que significa a vitória de Chavez

Nos anos 70, ditaduras militares, bem ou mal, impediram a expansão do comunismo pela América Latina. Esse impedimento infelizmente violento criou em muitos a idéia de um "destino roubado", de que o continente teria sido melhor sob o socialismo, não obstante seu rotundo fracasso alhures. Entrementes o comunismo perdeu a guerra fria, mas venceu uma batalha importante: a da mídia e a da comunicação. As falidas idéias marxistas são hoje esmagadora maioria nas universidades e na mídia do Ocidente. Dá até para perceber no texto do PD, quando fala em "paranóias anti-comunistas". Paranóias?!? Cuba então era comunista e Allende ia pelo mesmo caminho, havia guerrilhas marxistas por toda a América do Sul... E os EUA tinham apenas "paranóias anti-comunistas".

Parece-me, enfim, que estamos destinados a tentar refazer a história, viver esse "passado alternativo" e investir no socialismo, ignorando o absoluto fracasso das mesmas políticas no leste europeu. Teremos que agüentar uns bons 30 anos para finalmente compreender que o tal "socialismo" só descamba em autoritarismo (como é que o Fidel ficou 50 anos? que o Chaves quer mudar a constituição para ficar outros tantos?) e pobreza, pois, como qualquer pessoa inteligente se dá conta, no momento em que se propõe a igualdade forçada, quem é que vai querer ter estímulo para produzir riqueza, se não vai ter como aproveitar? Os socialistas falam muito em "distribuir riqueza" (dos outros), mas não sabem como criá-la. Ninguém tem interesse em produzir ou incentivar outros a fazê-lo, já que nada ganharão com isso. Só se ganha em ser "amigo do poder" e repartir benesses.

Teremos, assim, que agüentar uns 30 anos de neosocialismo, como o Irã agüentou 30 anos de islamismo (e hoje ninguém suporta mais) para compreender que realmente o caminho do desenvolvimento não passa por aí. Paciência.

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Beabá do Socialismo "for dummies":

a) Como é baseado na "igualdade social", os "ricos" devem dar seu dinheiro aos "pobres", seja através de impostos, seja através de expropriação.
b) Ninguém mais se esforça para ser rico trabalhando ou investindo, já que, de que adianta se seu dinheiro vai ser "distribuído"?
c) Os pobres ganham remédio, comida, em suma, viram dependentes do Estado, que faz tudo por eles menos a única coisa que deveria fazer, isto é, dar-lhes a chance de sair da pobreza. Isso so se consegue inserindo-os no mercado de trabalho, que só se consegue ampliando a economia, que só se consegue com capitalismo, que só se consegue quando as pessoas são livres e algumas pessoas são mais ricas do que outras.
c) Os "novos ricos" então também são dependentes do Estado, basta que sejam "amigos do poder" e não critiquem os "camaradas", tendo garantido seu monopólio.
d) Os pobres continuam pobres, mas como dependem do Estado para tudo, acham naturalmente que este os "ajuda" e votam pela continuação do esquema.
e) Quem se ferra é a classe média que é quem sustenta todo esse esquema estatal de pilantragem.
f) Um dia o petróleo caro, a ajuda russa, ou seja qual for a fonte de renda acaba, e a mamata termina.
g) Evidentemente, o "democrático" e "generoso" líder fica sempre no poder por 50 anos (Castro) ou 30 (Chaves diz que ser ser presidente até 2020), ou até quando der.
h) Em resumo, o "socialismo" nada mais é do que uma picaretagem, 171, um "Esquema Piramidal" em que uns poucos se beneficiam e outros tantos acham que vão se beneficiar também, mas só se fodem no final. Já vimos como terminou isso no Leste Europeu, mas parece que uns idiotas latinos querem assistir o filme de novo. Paciência. Eu espero que os João Daltros e Antônios Augustos aproveitem sua ilusão: quem sabe um dia, na velhice, descobrirão desiludidos que jogaram sua vida fora para beneficiar picaretas, e chorarão amargamente.

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Sábado, Março 11, 2006


AND THE OSCAR GOES TO...


Não vi Crash, portanto não posso opinar se a premiação foi justa. Brokeback Mountain me pareceu bom, mas não aquilo tudo - e mesmo a questão da homossexualidade já foi abordada de modo melhor em outros filmes. Nem nisso o filme apresenta novidades, fora o fato de situar o casal gay no território/iconografia clássicos dos westerns.
No mais, parece que nos últimos tempos os filmes indicados ao Oscar o são menos por sua qualidade artística ou técnica (ou mesmo bilheteria) quanto pelo tema abordado. Temas politicamente corretos ou engajados ganham pontos. Assim, temos entre os premiados Crash (racismo), Brokeback Mountain (homossexualismo), Capote (homossexualismo + pena de morte), Boa Noite e Boa Sorte (macartismo), isso sem falar em aberrações como Paradise Now (elogio do terrorismo), e assim por diante. Dá saudades do chamado período de ouro de Holywood, que para mim são os anos 30, 40 e 50, com diretores como Billy Wilder, Ernst Lubitsch, Joseph L. Mankiewicz. Se é verdade que a técnica evoluiu muito desde então, no nível de qualidade decaiu-se muito.
Quando lhe perguntaram quais as mensagens dos seus filmes, o famoso produtor Samuel Goldwyn respondeu que "se eu quisesse passar mensagens, usaria a Western Union". Holywood hoje está mais preocupada em passar mensagens - supostamente profundas ou politicamente corretas - do que em contar boas histórias.

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Sexta-feira, Julho 29, 2005


DOIS FILMES: "A QUEDA" E "NINGUÉM PODE SABER"

Assisti dois filmes esta semana. Um deles foi "A Queda", o tal filme sobre Hitler. Confesso que não gostei tanto assim. Certo, Bruno Ganz está excelente, mas parece que o único mérito do filme é ter "humanizado" Hitler, isto é, mostrá-lo como um ser humano real, que é o que ele era mesmo. Fora isso, o filme pouco explica sobre o nazismo ou sobre o próprio Hitler, fora o fato de mostrá-lo como um paranóico e um péssimo estrategista. Também é algo perturbador, não o retrato "humano" de Hitler, mas a visão pouco crítica do nazismo. Talvez por ser centrado justamente na queda, quando o ideal seria mostrar todo o processo a ascenção e a queda (mas para isso seria necessária uma minissérie). O fato é que, por ser centrado justamente na decadência do nazismo, o filme adquire um curioso tom quase elegíaco. E tem alguns planos estranhos. Por exemplo, quando Goebbels e a esposa se suicidam, a câmera se afasta - respeitosamente? Não entendi, já que muitas outras mortes são mostradas diretamente. Mas tampouco a morte de Hitler aparece na tela.
Já os personagens de Eva Braun e da esposa de Goebbels (em especial na cena em que ela mata seus filhos) estão muito bem concebidos, com uma ambigüidade interessante. Também, como aponta o crítico A.O. Scott do New York Times, devido às convenções cinematográficas (e o filme narrativamente é bem convencional) acabamos torcendo ou transformando em "heróis" personagens que nada tem de particularmente heróico, como a secretária do Führer e um médico nazista. Em resumo: o filme não é nem um pouco ruim, mas tampouco é a obra-prima que andaram dizendo.

O outro filme que assisti "Ninguém pode saber", do japonês Hirozaku Koreeda. É um belíssimo filme sobre crianças abandonadas pela mãe em Tókio. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de uma mãe imatura e irresponsável que não conta ao namorado que tem quatro filhos, cada um por sinal de um pai diferente. Pois um dia ela simplesmente desaparece, deixando para eles apenas um bilhete e um envelope com algum dinheiro. Os filhos a partir daí (o maior deles tem 12 anos) precisam se virar sozinhos, e pouco a pouco a situação vai se degradando... Um filme que trata de um tema tristíssimo, difícil, e no entanto o faz com extrema sensibilidade e imagens poéticas. As crianças não são atores profissionais e estão todas perfeitas, especialmente o jovem Akira, interpretado por Yuya Yagira, que ganhou merecidamente o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes.

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Terça-feira, Julho 26, 2005


DE VOLTA AO ESPAÇO!

Belíssimo! Acabo de ver o lançamento da Discovery, a primeira viagem de um ônibus espacial depois de dois anos e meio. Lembro ainda do desastre da Challenger em 1986, época em que eu, com 13 anos, lia Carl Sagan e ainda sonhava vagamente em ser astrônomo ou astronauta, por isso fiquei tenso achando que a qualquer momento o foguete fosse explodir. Que nada: está lá a milhares de metros de altura sobrevoando o nosso planeta.
Viva a exploração do espaço!
Fotos e mais informações com a NASA.

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Sexta-feira, Julho 15, 2005


HINOS NACIONAIS

A maioria dos hinos nacionais, por motivos bastante compreensíveis, são grandes apoiadores do militarismo, e em muitos casos de forma violenta. Mas em matéria de estímulo à indole guerreira, poucos chegam ao alcance do hino do México:


¡Guerra, guerra sin tregua al que intente
de la patria manchar los blasones!
¡Guerra, guerra! Los patrios pendones
en las olas de sangre empapad:

¡Guerra, guerra! En el monte, en el valle
los cañones horrísonos truenen,
y los ecos sonoros resuenen
con las voces de ¡Unión! ¡Libertad!


Já o hino da Ruanda é bem pacifista:


Nascidos em Ruanda, batam os tambores da vitória!
A democracia triunfou em nossa terra
Todos juntos lutamos por ela ardentemente
Juntos a decretamos: Tutsis, Twa, Hutus e outros grupos raciais
Esta independência conquistada
Vamos todos juntos construir!
Regozijemos na paz e na verdade,
Na liberdade e na harmonia!


Pena que a tal "harmonia" entre tutsis e hutus só aconteceu no hino...
Já o hino de Uganda é simpático, mas não sei, algo patético:


Oh Uganda! the land of freedom.
Our love and labour we give,
And with neighbours all
At our country's call
In peace and friendship we'll live.


E finalmente o hino do Vietnã tem uma sonoridade toda especial, ao menos na sua versão original:

Doàn quân Vietnam di
Sao vàng phap phoi,
Dát giong nòi que hu'óng qua noi lam than.
Cung chung suc phan dau xây doi moi
Dung deu len gông xích ta dap tan.
Tu bao lâu ta nuot cam hon
Quyet hy sinh, doi ta tu'oi tham hón.
Vi nhân dân chien dau không ngung
Tien mau ra sa tru'óng.
Tien lên! Cùng tien lên!
Nuoc non Vietnam ta vung ben.


Tudo isso e muito mais - a letra original, a letra traduzida ao inglês, e inclusive a música de cada hino para escutar! - encontrei nesta página bacana:

http://david.national-anthems.net/

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Segunda-feira, Julho 11, 2005


FALTOU CITAR O BELMONT CLUB, CLARO

Uma estrada para a vitória, a mais terrível, é igualar a entropia das sociedades islâmicas com uma correspondente entropia dentro do Ocidente. O aumento do ressentimento contra imigrantes islâmicos na Europa e o crescende desejo no Ocidente de ver o Islã e os Muçulmanos como inimigos, são sinais de uma transformação da guerra em uma "dívida de sangue" similar. Um dos temas constantes do Belmont Club é como isso é indesejável pois, no limite, resultaria na destruição do mundo islâmico e faria de nós todos assassinos. A alternativa escolhida por Bush, mas apenas parcialmente prosseguida, é a de diminuir a desordem no mundo islâmico; tornando tais países funcionais, modernos e livres de modo que o conceito da "dívida de sangue" se torne tão anacrônico em Riyadh como é em Cleveland.

Um link que faltou indicar no posto sobre leituras obrigatórias sobre o tema terrorismo e guerra contra o terrorismo foi o Belmont Club, blog de um historiador filipino-australiano. Um dos melhores blogs - que digo, um dos melhores textos em qualquer mídia! - sobre história, estratégia militar e eventos recentes. E, por acaso, um grande defensor da política de Bush no Oriente Médio. Mas, mesmo que você seja anti-bushista, recomendo: vale a pena ao menos ler o seu texto cristalino e suas análises detalhadas.

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Sábado, Julho 09, 2005


GUIA DOS BANHEIROS PÚBLICOS

A reportagem saiu há algum tempo na "No Mínimo", mas não deixa de ser ainda um assunto interessante.

The Bathroom Diaries nasceu, há três anos, da iniciativa de uma jovem mãe americana que - cansada de ficar em casa, vivendo em função do mundo infantil - resolveu criar algo diferente. Mary Ann Racin estava grávida de seis meses do segundo bebê quando resolveu passear em Paris com a filha de três anos. ¿Com crianças, vivemos em banheiros¿, conta ela a NoMínimo. ¿E não há nada pior do que um banheiro turco, aquele buraco no chão, típico dos cafés parisienses¿, reclama. ¿Não há sequer avisos indicando que o banheiro é assim.¿ Barriguda, ela fazia contorcionismos para carregar a filha no colo, tirar seus sapatinhos, despí-la e depois pendurá-la sobre o buraco. ¿Não queria que seus pezinhos tocassem aquele chão¿, explica.

Apuros como esse deram à luz a idéia do site. O nome foi inspirado no filme ¿Basketball Diaries¿ e no livro ¿The Bridget Jones Diaries¿. Qualquer um pode colaborar com a lista de banheiros em todo o planeta. Basta clicar no link ¿adicione um banheiro¿, colocar o endereço do banheiro e responder às múltiplas questões, indicando se o banheiro é unissex ou não, se fica aberto 24 horas, qual o tipo de privada, se tem acesso fácil para deficientes, fraldário ou chuveiro ¿ e se é excelente, bom, terrível, seguro, ou, pelo menos, limpo.


O site é bacana, e tem até fotos. Abaixo, por exmplo, vemos umas indicações explicativas encontradas em um banheiro público africano (Marrocos, Senegal ou Costa do Marfim, não lembro):

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Sexta-feira, Julho 08, 2005


SERÁ QUE EU VIREI UM NEOCON?

Não começou com o 11 de Setembro, embora definitivamente o impacto daqueles atentados tenha sido grande. Mas a minha "mudança de lado" por assim dizer - de um ponto de vista mais ou menos esquerdista, ou de "centro-esquerda", para um ponto de vista independente foi um movimento gradual. Na realidade, mesmo hoje não me defino de "direita" nem de "esquerda" pois a única questão com a qual acho que tenho alguns pontos de contato com a direita (libertária e não religiosa) é mesmo a questão do terrorismo.

Desde 2002 tenho lido tudo que é tipo de notícia e comentário sobre o assunto terrorismo, Islã, Israel, Oriente Médio, Guerra no Iraque, e cheguei a algumas conclusões, que, ainda que não definitivas, orientam o caminho a seguir.

Uma delas é que contra o terrorismo não pode haver tolerância. Que os terroristas são malucos, e querer ficando justificá-los ou tentando entender suas "causas" é insanidade, masoquismo. A pobreza, miséria e desespero não justificam a morte de inocentes, especialmente quando essas mortes foram patrocinadas por um milionário como o Bin Laden que pouco tem de miserável ou desesperado.

A outra é que terrorismo é tática militar, e para vencer o islamismo radical será necessário adotar táticas militares. Depender só nos tribunais não vai dar certo. Acho que o ponto de virada, para mim, ocorreu quando Israel matou o Sheik Yasin. Todos falaram que era suicído, loucura, ato criminoso, etc. Pois Israel não só matou o velho assassino, como também seu sucessor. Depois disso o Hamas se cuidou bem direitinho de anunciar seu novo líder. A conclusão é: embora digam o contrário, a única coisa que os fanáticos terroristas respeitam é a violência. Tentar "dialogar", tentar oferecer-lhes acordos, não vai dar nunca certo, pela simples razão que eles não querem acordo nenhum. Sua perspectiva é não-negociável.

Assim, ao iniciar sendo contrário e terminar me posicionando de certa forma a favor da Guerra do Iraque, ainda que com certas reservas, me pergunto: será que eu virei um "neocon"? Os neocons, como se sabe, são a nova geração de conservadores tão famigerada por pregar a "expansão da democracia" no mundo. Dado o seu idealismo, alguns os consideram a "esquerda da direita". Há quem dentro da própria direita os despreze e pregue uma volta à realpolitik Kissingeriana. E há os esquerdistas que os odeiam com todas as forças, talvez porque não tenham mais opção. Ou porque a esquerda, apesar de todas as suas reclamações contra o Bush, na realidade não sabe o que fazer para lutar contra o terror, a não ser a velha balela de "examinar as causas do terrorismo."

Embora em teoria as pessoas de "esquerda" ou os "liberais" sejam defensores dos direitos humanos, pacifistas, etc., acho que a ideologia foi mortalmente danificada por duas influências muito negativas: o marxismo-leninismo e o politicamente correto. O primeiro lhes deu a idéia equivocada de que o único modo de obter maior igualdade social é através de um Estado centralizador, e portanto totalitário. O segundo trouxe a idéia de que todas as culturas são iguais, e portanto é a mesma coisa uma cultura que valoriza a submissão da mulher, o apedrejamento de gays, o incentivo ao martírio, do que a cultura ocidental que mantém liberdade de expressão e de culto como seus pilares básicos. Justificar a barbárie como "diversidade cultural" é um dos grandes erros das democracias modernas, e a Europa já está pagando o preço por essa miopia, com grande número de imigrantes islâmicos que se recusam a se adaptar aos costumes e leis ocidentais.

A grande culpa pela desgraça, miséria e atraso no mundo islâmico é deles mesmos. É ridículo querer colocar a culpa de tudo no mundo ocidental. Assim como a culpa pela pobreza, miséria e atraso no Brasil é em grande parte nossa mesma, não vamos ficar colocando a culpa sempre nos yankees. Quem sabe reconhecer sua responsabilidade se ajeita e dá a volta por cima. Quem não sabe ou prefere culpar Americanos, Judeus ou Forças Ocultas, vai sempre viver chorando, reclamando e cometendo atentados que não resolvem em absolutamente nada a situação de miséria, falta de liberdade e atraso dos próprios países. Eu pessoalmente não tenho mais paciência com esse discurso vitimista.

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AINDA SOBRE A RELAÇÃO LONDRES X IRAQUE

Se todos os muçulmanos fossem terroristas, teríamos um bilhão de terroristas e o mundo já teria acabado há muito tempo. 99% dos muçulmanos não são terroristas. Dito isso, o islamismo radical conta com muitos simpatizantes entre os muçulmanos que moram na pobreza e de certa forma vêem essas explosões como "atos de vingança contra a exploração de seu povo." Quem pode culpá-los, se até muitos ocidentais acreditam nisso? O mundo muçulmano se encontra numa encruzilhada: deve escolher se vai para a frente ou para trás. Se quer se juntar à civilização ou não. Se quer abandonar costumes como a mutilação genital, a submissão da mulher, a intromissão da religião em assuntos privados ou não. Por ora, as respostas de seus líderes religiosos não são lá muito animadoras.

Minha visão sobre a Guerra no Iraque é ambígua. Não sei se vai dar certo ou não. Concordo com a Condoleeza que democracia é muito mais do que eleições. Mas acho que, no mínimo, em uma estratégia militar clássica, levou a guerra ao campo do inimigo. Entre os homens-bomba que explodiram, havia vários muçulmanos com cidadaia européia, inclusive britânica. Onde vocês acham que eles teriam ido se explodir, se não fosse no Iraque? Além disso, como já disse em outro post, acho que ambas as guerras, Iraque e Afeganistão, são tentativas de "dar uma chance" ao Oriente Médio, que com exceção de Israel nunca conheceu regimes democráticos, e dando uma escolha aos muçulmanos diversa do radicalismo fanático, evitar assim um conflito maior, ou seja, um conflito Islã versus Ocidente que faria a Segunda Guerra parecer um brinquedo de criança. Alguns acham que a Guerra do Iraque só incentivou ainda mais os terroristas. Eu discordo. Malucos não precisam de incentivo, tanto que até babaquices como a "dessacralização do Corão" já foram usadas como pretexto para a violência. Para essa gente, retrocessos são vistos como fraqueza. Peguem a Espanha: alguém acha que depois de ter saído do Iraque ela está sendo vista com mais "respeito" pelos fanáticos? Tenham dó.

Não é ficando quieto e realizando as vontades de fanáticos e terroristas que se vai vencer esta guerra.

Aos interessados (tem alguém aí?) recomendo a leitura das últimas colunas de Christopher Hitchens e Victor Davis Hanson. Aliás o Hitchens, que é britânico, tem outro texto aqui. São na minha opinião os melhores colunistas sobre o assunto terrorismo, pois não abordam o assunto com histeria e têm uma grande cultura. O Hitchens é grande defensor do laicismo e contrário a qualquer tipo de fanatismo religio, inclusive cristão (ele chegou a escrever um livro contra a Madre Teresa de Calcutá!). O Victor Davis Hanson é professor de história clássica, portanto seus comentários muitas vezes são baseados em observações sobre a cultura grega e romana e as várias guerras ao longo da história. Um tipo de conhecimento do mundo clássico não muito comum na imprensa americana.

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PANIC IN THE STREETS OF LONDON?

Bem, na verdade o pânico foi pouco. E o número de mortos (agora estabelecendo-se ao redor de 50) não foi tão grande quando poderia ter sido. O que não tira a gravidade da situação. E o que não nos responde a grande dúvida: como fazer para acabar com essa praga do terrorismo islâmico?

Alguns acham que a causa dos atentados foi a Guerra do Iraque. Discordo. A causa é a própria ideologia insana dos terroristas. E a justificativa pode ser tanto a guerra quanto o julgamento do fanático Bakri, que estava ocorrendo esses dias mesmo em Londres. Mas, repetindo o que já disse em outro lugar:

Independentemente do fato da guerra do Iraque e seus motivos, o que me incomoda é que as pessoas inconscientemente aceitem o jogo dos terroristas, ou seja: de que a morte de trabalhadores e turistas inocentes é um método militar justificável e até defensável contra uma guerra ou ocupação contra a qual não se concorda. E de que portanto, se você quer evitar o terrorismo, a melhor tática é a de não combatê-lo, mas abaixar a cabeça e aceitar as bombas como método de "negociação". Foi assim que começou o terrorismo no Oriente Médio, e até agora não deu sinais que vá parar.

Uma parábola:

A República de Weimar (república democrática antes do nazismo) caiu, não tanto porque os nazistas tomaram o controle, mas porque ninguém acreditava mais nela e nos seus princípios. Porque o nacional-socialismo parecia uma bandeira bem mais interessante do que a democracia. Há quem diga que o Ocidente está perdendo a guerra contra o terrorismo porque não acredita mais em si mesmo, porque acha que nada vale a pena e que todas as guerras são moralmente iguais, porque perdeu confiança na democracia e nos seus princípios de liberdade, porque, de forma ambígua, dá a razão àqueles que matam suas crianças. Não sei, pode ser.
Uma vez perguntaram a Marlene Dietrich porque ela tinha abandonado a Alemanha e ido para os EUA, porque não tinha aceitado os convites de Hiter para se tornar estrela do nazismo, porque apoiara uma guerra contra o seu próprio país. Ela respondeu, "Os nazistas matam crianças em câmeras de gás. Não é difícil escolher de que lado ficar."
Os terroristas islâmicos matam crianças em escolas e trabalhadores em trens e ônibus. Não é difícil escolher de que lado ficar.

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Por algum motivo não consigo mais editar o post abaixo. Em todo caso, para os interessados, os links são:

http://slate.msn.com/id/2121384/
(matéria da Slate contando como surgiu a história)

E também :

http://www.cryingwhileeating.com
(vídeos de pessoas... well, chorando e comendo. Engraçado.)

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Sábado, Junho 25, 2005


CRYING WHILE EATING

A curiosa odisséia de uma nova-e-já-velha mania na Internet com pouco mais de quinze minutos de fama: os vídeos de pessoas que choram enquanto comem, publicados inicialmente em uma página pessoal e que acabaram indo parar em uma página japonesa sobre fetiches e sendo acessados por milhões de pessoas. A reportagem na Comments:


Quarta-feira, Junho 22, 2005


PT PHONE HOME

A Veja desta semana é particularmente cáustica com o PT. O Diogo Mainardi tripudia, nas suas próprias palavras, como se fosse final de hexacampeonato. E o governo Lula atravessa a sua pior fase.
O que dizer?
Nunca fui nem PT-de-carteirinha nem anti-PT, embora tivesse uma certa simpatia pelo partido e especialmente pelo Lula. Votei pelo PT nas eleições administrativas, das quais não tenho queixas, foram boas administrações.
Mas as acusações do Roberto Jefferson (mesmo levando em conta que ele próprio não seja a figura mais ética da política brasileira), realmente complicaram a coisa para o ex-partido dos trabalhadores.
Se realmente for verdade essa coisa do mensalão, é mais uma pá de terra nas ilusões. Uma pena mesmo.

E enquanto isso, parece piada, mas talvez para distrair a atenção o Ministério da Cultura lançou um concurso de apoio às paradas do Orgulho GLTB (Gays, Lésbicas, Travestis e Bissexuais, imagino). Sou totalmente a favor dos direitos dos gays, acho sempre divertida a parada, mas peralá, precisava concurso público específico pra isso?

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Terça-feira, Junho 21, 2005


AYAAN HIRSI ALI NA VEJA!

Ok, saiu uma entrevista com Hirsi Ali na última Veja, então felizmente mais pessoas poderão ficar familiares com a sua causa e entender melhor o que está acontecendo na Europa.

Também achei online a tradução para o português de uma outra entrevista dela para o Der Spiegel:

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2005/05/24/ult2682u28.jhtm

"Eu estou sendo vigiada 24 horas por dia. Os meus guarda-costas estão sempre por perto, onde quer que eu vá. Há dois dormitórios no meu apartamento, um para mim e o outro para dois guarda-costas, que se revezam para dormir. Toda vez que eu abro a minha porta, um deles abre também a porta do outro quarto para verificar o que está acontecendo.

O intolerável não pode ser tolerado. Nós precisamos declarar guerra contra a propaganda islâmica. Por que deveríamos ignorar que as mulheres, nas sociedades islâmicas, vêm sendo oprimidas, submetidas a maus-tratos, escravizadas? Por que deveríamos ignorar que pessoas que desempenham papéis importantes nestas sociedades pregam o ódio e fizeram o juramento de nos destruir?"


E finalmente tem um weblog com notícias dela (este em inglês e holandês):

http://ayaanhirsiali.web-log.nl/categorie/46044

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